Projeto Guard'Águas Baía de Guanabara

A destruição dos ecossistemas periféricos da baía de Guanabara ocorre principalmente, pelos sucessivos aterros para a expansão urbana e industrial. Mesmo a APA de Guapimirim, criada para proteger os últimos remanescentes de manguezais, vem sofrendo com a retirada da madeira para a lenha, utilizada pelas cerâmicas e padarias, escoras para a construção civil, invasão por populações de baixa renda, poluição por óleo, desmatamentos e queimadas. De acordo com a FEMAR (1998), o corpo d'água da Baía recebe, sem tratamento, em torno de 85% dos esgotos domésticos, produzidos pela população. Estudos realizados entre 1991 e 1993, indicaram que a Baía de Guanabara recebe cerca de 361 t/dia de carga orgânica.

Segundo relatório produzido pela FEMAR (1998), o estado do Rio de Janeiro apresenta grande densidade de pescado nas águas costeiras com forte dependência da presença de estuários e, principalmente, da vegetação de manguezal. Em uma análise comparativa entre os anos de 1979 e 1995, houve um declínio do pescado no litoral em função do decréscimo das áreas de manguezal, à poluição das águas costeiras e ao evento meteorológico do El Niño. A captura mensal de pescado atualmente, representa somente 10% do que foi pescado na década de 70, quando a qualidade das águas da Baía ainda eram razoáveis. O relatório infere, ainda, que por este motivo o Brasil apresenta saldo negativo na balança comercial no setor pesqueiro, tendo, em 1995, importado 410 milhões de dólares e exportado 160 milhões.

Apesar das descargas de esgoto serem fatores importantes de poluição da Baía de Guanabara, ainda é a atividade petroquímica uma das fontes de maior potencial de poluição. Ela emite efluente líquidos que contém metais pesados (cobre, chumbo, zinco, cádmio e mercúrio), óleos de graxa, fenóis, cianetos, sulfetos e carga orgânica, provenientes do processo de refino do petróleo. Estudos de organismos aquáticos da Baía demonstraram que os mexilhões apresentam concentrações de metais pesados cerca de quatro vezes mais que o normal, assim como concentrações de cobre e zinco para os camarões e de mercúrio para os peixes (FEMAR, 1998). Romano (1996) detectou níveis elevados de mercúrio na espécie peixe pescador, de hábito planctônico, típico de fundo e de contato direto com substrato. Embora estas concentrações ainda estejam abaixo dos limites preconizados pela Organização Mundial de Saúde, a contaminação destes organismos é bioacumulativa e vem gradativamente se tornando uma ameaça ao ecossistema.

Ainda hoje o Programa de Despoluição da Baía de Guanabara implantou uma rede de Estações de Tratamento de Esgotos no seu entorno, cujo "tratamento" resume-se na maior parte na retirada dos resíduos sólidos.

Ademais, o número de acidentes nas operações de carga e descarga do petróleo e seus produtos através de dutos até o terminal portuário é grande, muitas vezes provocando o derramamento de óleo e derivados sobre os manguezais remanescentes da Baía de Guanabara.

A APREC Ecossistemas Costeiros começou no ano de 2000 a desenvolver ações voltadas para atividades de voluntariado visando a educação ambiental nas áreas de entorno da Baía de Guanabara.

O projeto distingue o valor do trabalho voluntário, que agrega também valores intangíveis humanistas à expressão econômica, suprindo lacunas sociais ou ecológicas, e movimentando ano a ano cifras cada vez maiores. Computando-se dados econômicos do Terceiro Setor (entidades sem fins lucrativos), observa-se que este movimentou no mundo cerca de US$1,08 trilhão em 1995, segundo pesquisa realizada pela Universidade Johns Hopkins, nos EUA, coordenada no Brasil pelo Instituto Superior de Estudos da Religião - ISER (Folha de São Paulo, 1999). No mesmo ano no Brasil o setor voluntário movimentou a impressionante quantia de US$11 Bilhões, equivalentes a 1,5% do PIB nacional a época. Considerando apenas as doações, segundo a pesquisa do ISER encomendada ao IBOPE, as entidades filantrópicas no Brasil receberam em 1997 cerca de R$1,1 bilhão (Folha de São Paulo, 1999). Essa antiga novidade vem ganhando vulto abaixo da linha do equador, em sua vertente ambiental, a partir do final do século XX, mais precisamente a partir de 1992 na reunião no Rio de Janeiro, da Conferência Mundial sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, de centenas de ONG's com propostas de voluntariado na área ambiental. O projeto criou um serviço voluntário para ações da cidadania organiza, estrutura, capacita e disponibiliza esse significativo contingente de cidadãos conscientes, transformando-os em agentes multiplicadores da cidadania ecológica.

A partir de 2008 foram agregadas parcerias com a Secretaria de Projetos Especiais da Prefeitura Municipal de Niterói e a ONG americana Waterkeeper Alliance.