Projeto Cultimar™

O cultivo de animais e plantas marinhas para nutrição humana é uma prática secular na China e no Japão. A escassez cada vez maior de alimentos no mundo, conduziu a um maior desenvolvimento da aqüicultura em países desenvolvidos e naqueles ditos em desenvolvimento, bem como a pesquisas buscando a introdução de técnicas mais eficazes, visando o aumento da produtividade

Existe uma série de problemas comuns ao cultivo de todas as espécies marinhas. Torna-se necessário controlar ou impedir predadores e parasitas, controlar o aporte de nutrientes e a eliminação dos rejeitos do metabolismo. A poluição alcança especial importância quando se cultivam moluscos em águas costeiras, onde a contaminação por atividades humanas os leva, ao filtrar seu alimento, a ingerir microorganismos, metais pesados, óleo e outras substâncias que podem levar a doença e até a morte, dos moluscos e também do seu predador, o homem. Cabe ressaltar o crescente êxodo de comunidades, outrora engajadas diretamente em atividades extrativas marinhas, para outras, como a construção civil e serviços de utilidades diversas. Em países subdesenvolvidos, ou ditos em vias de desenvolvimento, a importância econômico-social da aqüicultura resulta na possibilidade de produzir alimentos mais baratos e dar trabalho e ingresso a essas comunidades. Para que a aqüicultura cumpra com suas finalidades sociais, desde os projetos mais elementares a nível familiar, até aos projetos comerciais mais elaborados, deve produzir utilidades, além dos meios de subsistência.

O cultivo de espécies marinhas é, em princípio, mais eficiente que a pesca tradicional, tanto de peixes quanto de invertebrados, como ostras, mexilhões e caranguejos. Estudos econômicos de projetos de aqüicultura no estado do Rio de Janeiro são incipientes, começando em 1993 com o projeto Mexilhão Rio da Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ, juntamente com a comunidade de coletores de mexilhão em Jurujuba (Niterói, RJ), e o projeto CULTIMAR™ (1994), da ONG APREC Ecossistemas Costeiros; também um projeto de extensão universitária da UERJ. Neste contexto torna-se fundamental o papel do ensino e da pesquisa, como instrumento de orientação para o manejo das regiões costeiras visando à utilização racional do meio, evitando-se a degradação dos ambientes naturais e a formação de mão de obra qualificada para a gestão ambiental.

Os primeiros trabalhos foram realizados na praia de Itaipu (Niterói, RJ) em um escritório cedido por Convênio na sede da Colônia de Pescadores Z-7 Itaipu-Maricá a partir de 1995.

Os primeiros resultados das coletas periódicas de dados oceanográficos da enseada de Itaipu foram publicados no XIX Congresso Brasileiro de Microbiologia.

Pelo seu pioneirismo o projeto ganhou o interesse da comunidade, manchetes de jornais e diversas participações em programas educativos, informativos, congressos em rádios e televisões.

Na direção desta primeira implementação o projeto CULTIMAR™ obteve a primeira licença ambiental fornecida no Brasil à um projeto de maricultura, emitida pela FEEMA (atual INEA Instituto Estadual do Ambiente) e pelo Ministério da Marinha/Capitania dos Portos do Estado do Rio de Janeiro em 1996.

Após um período de inatividade por falta de recursos, o grupo dirigente da APREC retomou esforços para reativar as atividades de projeto e viabilizar a construção da sede do CULTIMAR™. Um aditivo ao Convênio com a Colônia de Pescadores Z-7 (Itaipu e Maricá), estabeleceu as bases para incluir uma das reivindicações da representação dos pescadores no projeto: a implantação de um curso profissionalizante. Uma série de reuniões com os órgãos responsáveis pela pesca e pela educação da Prefeitura Municipal de Maricá, despertou o interesse da municipalidade de abrigar as instalações do projeto.

O projeto CULTIMAR compreende agora atividades ligadas a educação, aqüicultura e monitoramento ambiental. Cria um pólo gerador e disseminador de tecnologia a comunidades humanas, pescadores artesanais e seus dependentes, no ensino básico (fundamental e médio) profissionalizante, procurando através do ensino, da pesquisa e monitoramento ambiental viabilizar a formação de técnicos ambientais, profissão instituída pela Lei n.º 10.410/2002, e outras especialidades de acordo com suas as atividades de projeto.

Em 11 de Fevereiro de 2009, data histórica para a ONG, fomos recebidos no escritório do arquiteto Oscar Niemeyer. A reunião para apresentação do projeto CULTIMAR™ foi totalmente filmada, tornando-se um documento histórico em face a dimensão da figura humana que ouvia atento a apresentação do projeto. Ao final da reunião uma enorme surpresa: as instalações do projeto CULTIMAR™ vão ser projetadas gratuitamente pelo famoso arquiteto Oscar Niemeyer http://www.niemeyer.org.br , cujos principais trabalhos incluem a capital do Brasil, o Museu de Arte Contemporânea de Niterói (RJ), e muitas outras obras primas da arquitetura mundial.

Esse foi o compromisso assumido pelo gênio de 101 anos a época que estava diante de nós, com a maior humildade, conferindo e reconhecendo a grande dimensão social e ecológica do projeto CULTIMAR™ que acabara de conhecer. O momento foi emocinante para todos.

Diante de tamanha distinção e generosidade, a partir daquela data começamos a árdua tarefa para viabilizar a implantação do projeto CULTIMAR™. A partir de uma idéia sugerida por um diretor da APREC, o brilhante arquiteto traduziu uma árvore de mangue, a Rizophora Mangle, em uma bela obra arquitetônica, materializada na maquete elaborada pelo seu bisneto, o talentoso arquiteto Carlos Henrique "Caíque" Niemeyer. Resta-nos agora buscar os recursos para viabilizar a sua implementação.

Um estudo preliminar foi elaborado com apoio do Ministério da Ciência e Tecnologia, da FINEP - Financiadora de Estudos e Projetos, da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro, com recursos dispendidos através da FAPERJ - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Edital 15/2008 - Pappe Subvenção Rio Inovação 2008, processo E-26/190.062/2009 - ADT 1).